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Do rústico ao moderno: conheça a história do design

O nome “design” só surgiu durante a era moderna, há apenas três séculos, mas a sua criação é datada desde a criação da humanidade. Suas técnicas e estética foram muito além dos objetos e da decoração, e influenciaram diretamente a arte, a arquitetura e até mesmo a nossa história. Do rústico ao pós-moderno, conheça um pouco da evolução do design!


O design na Pré-História e Antiguidade

O período pré-histórico foi essencial no desenvolvimento da comunicação visual e dos primeiros elementos de design, através de pinturas rupestres, composições com pigmentos, uso de materiais rústicos para esculturas e abrigos fabricados com fibras vegetais e monumentos de pedras colossais.

Já na Antiguidade, os egípcios foram uma das primeiras civilizações a utilizar elementos de design, na arquitetura das pirâmides, em pinturas que imitavam os movimentos dos corpos, esculturas em ouro, móveis com formas rígidas e uso de linhas geométricas.


O Design Moderno

A produção em massa e a mecanização do trabalho causada pela Revolução Industrial criou um apelo pela revalorização da produção artesanal, principalmente em mobiliários e na indústria têxtil.

De 1880 a 1917, o movimento inglês Arts and Crafts, através do seu líder William Morris, passou a defender uma arte “feita pelo povo e para o povo”. O ato de revalorizar o trabalho manual e recuperar o valor estético dos objetos produzidos para uso cotidiano viriam a se transformar no que conhecemos como “design”.

Esse movimento ligou-se ao revolucionário Art Nouveau, ou em tradução do francês, “arte nova”, e se espalhou por toda a Europa. De 1890 a 1914, o seu estilo revalorizou o sentido da beleza, com grandes lamparinas francesas, artigos de vidros e estampas arabescas ou ligadas à natureza — como flores, plantas e animais em movimento.



Emilie Flögue, designer austríaca, Emile Gallé, designer e artesão francês, e o arquiteto espanhol Antoni Gaudí foram inspirados pelas tendências da Art Nouveau. Uma das obras mais significativas desse período é a Sagrada Família, em Barcelona, considerada um dos patrimônios mundiais da Unesco.

Em 1917, a publicação de manifesto “De Stijl” inaugurou o neoplasticismo no design. Esse movimento reduzia os elementos aos seus traços mais puros, valorizando as características abstratas. Ângulos retos, cores primárias e tons de preto e branco se tornaram os elementos essenciais na estética neoplástica, que teve como principal personagem o pintor holandês Mondrian.


Anos 20 e 30

A união entre arquitetura, pintura e desenho industrial ganhou força em 1919 pela escola de arte Bauhaus, criada pelo arquiteto Walter Gropius, na Alemanha.

Sua estética revolucionou o design moderno com formas mais simplistas, linhas retas e um visual minimalista, além de uma forte crítica ao governo de Adolf Hitler, responsável por seu fechamento em 1933. Sua influência é vista nas obras de Oscar Niemeyer, com formas geométricas e cores brancas, utilizadas na construção de Brasília, e até mesmo nos produtos da marca Apple.

De 1925 a 1939, uma estética inspirada no movimento cubista ganhou espaço, através da Art Déco. Os objetos produzidos nesse período prezavam pela geometria, uso de peles de animais e plástico para forrar móveis e marcas de civilizações orientais para a decoração.

No Brasil, sua influência foi muito marcante na arquitetura em obras como o Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, o Estádio do Pacaembu, em São Paulo, e o Elevador Lacerda, em Salvador.


Anos 50 e 60

As mudanças sociais causadas pelo feminismo, movimento Black Power e Guerra Fria levaram à rejeição do racionalismo em prol da expansão da consciência, com cores saturadas, tipografias irregulares e psicodelismo, que se destacaram no movimento artístico Pop Art.

Mesmo com grande influência na pintura, através da figura de Andy Warhol, o design, principalmente o gráfico, passou a moldar o formato dos seus objetos de decoração com as características desse movimento: ilustração, cores vivas, reprodução de formatos e utilização de figuras famosas como Marilyn Monroe e Elvis Presley.

Essas décadas também foram marcadas pela expansão das escolas de design e desenvolvimento de pesquisas, principalmente com a Escola de Ulm (1952 a 1968), que passou a empregar novas mídias e técnicas na área.


O Design Pós-Moderno


Década de 70

O fim da década de 60 foi marcado por mudanças históricas que influenciaram diretamente no design e nos seus rumos estéticos. A funcionalidade perdeu espaço e as peças começaram a ganhar valor artístico. Cadeiras de Stephan Wewerka, com formas mais marcantes e uma carga de elementos “kitch”, se transformaram no símbolo dessa mudança. Curvas, cores, uso de materiais reciclados e tudo o que era considerado “errado” no design ganhou aceitação.


Décadas de 80 e 90

Temas como interatividade, tecnologia, e questões ecológicas passaram a se destacar, e as pessoas queriam objetos com identidade, que refletissem seu gosto e comunicassem algo. Uma peça de design não tinha apenas a visão do designer, mas da sociedade em geral. Comunicação em massa, digitalização e o punk marcaram essas décadas.

O maior destaque do design pós-moderno foi o Grupo Memphis, entre 1980 e 1988, com formas angulares e cores alegres. Seu perfil arrojado foi influenciado por um de seus fundadores, Ettore Sottsass, que utilizava figuras de bactérias em seus móveis, texturas e objetos, com cores e padrões que nunca haviam sido usados na arquitetura ou no design anteriormente.


Década de 2000 – Hoje

O design ganhou ainda mais força nos países da América Latina durante os anos 2000. Influenciado pela internet e evolução da tecnologia, o valor estético está hoje em todos os objetos, até mesmo em aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos, que têm aliado funcionalidade ao seu aspecto visual.

A reprodução em massa de peças assinadas se tornou uma característica do período atual do design. Um dos exemplos é a cadeira Louis Ghost, de Phillipe Starck, com mais 1,5 milhão de unidades vendidas em todo o mundo.

O interesse social pelo design também aumentou a busca por informação e reinvenção de móveis e objetos antigos, como a cadeira Eames, criada em 1950 e vista na maioria dos novos projetos de decoração.


O design brasileiro

A história do design brasileiro ainda é recente, ganhando espaço entre as décadas de 50 e 60. As suas características mais marcantes vieram de elementos históricos e culturais do país, como movimento literário e artístico modernista, de Oswald de Andrade e Mário de Andrade, e a veia revolucionária do Tropicalismo.

O primeiro, e um dos principais expoentes do design, foi Aloisio Magalhães. Sua data de nascimento, 5 de novembro, se transformou no Dia Nacional do Design.

A partir de então, outros designers ganharam espaço, como Sergio Rodrigues, que trouxe o conceito industrial ao Brasil; Zanini de Zanine, filho do renomado arquiteto Zanine Caldas; Carlos Motta, reconhecido internacionalmente pelo seu apelo sustentável; e os irmãos Campana, capazes de transformar materiais simples, como cordas, em artigos luxuosos.

Um dos nomes mais relevantes para a concretização da identidade própria do design brasileiro foi o da arquiteta Lina Bo Bardi, que fugiu das cartilhas e regras do que era tendência no cenário internacional para valorizar a brasilidade. A sua cadeira “Bowl”, por exemplo, foi inspirada, segundo historiadores, no formato das cumbucas e tigelas de barros esculpidas pelos indígenas.

E você, já conhecia a história do design? Quais são as suas maiores influências? Compartilhe-a com a gente nos comentários!


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